Reprodução Assistida após os 40 anos

Dr. João Pedro, diretor da Rede Pró-Criar Pró-Criar/divulgação
Dr. João Pedro, diretor da Rede Pró-Criar Pró-Criar/divulgação

Recentemente vimos nascerem as gêmeas da cantora Ivete Sangalo, que optou aos 45 anos de idade, pela técnica de fertilização in vitro depois de duas tentativas malsucedidas pelo método natural. Em matéria para o Fantástico, a cantora informou que congelou nove óvulos, alguns aos 42 anos e outros, aos 43.  Apesar da boa noticia, da gravidez tranquila e do parto dentro do previsto, é importante esclarecer que não é recomendado congelar óvulos após os 40 anos, mesmo para mulheres que já tiveram o primeiro filho antes dessa idade.

O congelamento de óvulos tem sido uma prática cada vez mais procurada por mulheres que querem adiar a gravidez, contudo, a possibilidade de uma gestação tardia tende a causar a ilusão de que os óvulos podem ser retirados no momento da vontade de engravidar, mas, na verdade, essa é uma decisão que precisa ser tomada o mais cedo possível. Após os 40, além da probabilidade de gravidez ser menor e os riscos para a mãe, maiores (existem mais riscos de o bebê ter alguma síndrome genética, devido a alterações cromossômicas), é importante estar consciente que a fertilidade cai consideravelmente após os 35 anos.

A idade mater­na é um dos fatores iso­la­dos que mais alte­ra as taxas de gravidez em humanos. A ­mulher apre­sen­ta um declí­nio na fer­ti­li­da­de, aumentando o tempo de concepção a par­tir dos 30 anos de idade. Esse declí­nio se torna mais acen­tua­do a par­tir dos 35 anos, com sensível piora após os 40 anos. Isso se deve à redução significativa do número e da qualidade dos óvulos. Trata-se de um processo normal, cujo resultado final é a ocorrência do esgotamento do número dos óvulos e, por fim, a menopausa. Ao optar pela reprodução assistida, é preciso ter a consciência que quanto mais velha for a mulher, mais complexo será o tratamento a ser realizado.

Uma das grandes novidades do segmento da reprodução assistida é a avaliação genética da paciente. Por meio da técnica de screening é possível fazer uma análise embrionária detalhada, selecionando os embriões mais saudáveis. Além de ser uma boa opção para mulheres mais maduras, o método diminui as chances de gravidez múltipla. O desenvolvimento das técnicas de criopreservação também tem permitido a estas mulheres colher e preservar seus óvulos numa idade ainda jovem para a utilização no momento que desejarem.

Mas, apesar dos avanços nesta área, não existe uma técnica que dê a garantia de uma gestação. Portanto, a dica é refletir com calma sobre o assunto e tomar a decisão de congelar ou não os óvulos o mais rápido possível.

* Dr. João Pedro Junqueira Caetano é Presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana – SBRH e diretor da rede Pró-Criar.

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