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A produção de leite de búfala na região de Sarapuí, a 33 quilômetros de Itapetininga, passou a integrar um processo técnico voltado ao reconhecimento oficial de sua origem e características. A iniciativa busca a obtenção da Indicação Geográfica, certificação concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial, o INPI, que identifica produtos diretamente associados ao território onde são produzidos.

O trabalho é conduzido pelo Sebrae-SP, em parceria com o Instituto Federal de Itapetininga, e reúne produtores rurais, prefeituras e entidades ligadas ao setor agropecuário. A proposta é organizar a cadeia produtiva da bubalinocultura, reunindo informações técnicas e históricas que fundamentem o pedido de registro junto ao INPI.

Além de Sarapuí, o levantamento envolve municípios com presença relevante na criação de búfalos e na produção de derivados, como Pilar do Sul, Alambari, São Miguel Arcanjo e o próprio município de Itapetininga. A delimitação da área produtora é uma das etapas essenciais do processo, já que a certificação considera a relação entre o produto e o território.

A Indicação Geográfica funciona como um instrumento de reconhecimento que associa qualidade, reputação e modo de produção ao local de origem. O selo também estabelece critérios de padronização e controle, contribuindo para garantir segurança ao consumidor e maior organização ao setor produtivo.

Projeto busca selo do INPI para valorizar leite de búfala da região de Sarapuí - Divulgação
Projeto busca selo do INPI para valorizar leite de búfala da região de Sarapuí – Divulgação

“A indicação geográfica é uma forma de comunicação com o consumidor. É quando mostramos que aquele produto tem identidade com o território, que existe um saber-fazer local e que as pessoas que trabalham ali conhecem profundamente o búfalo e a produção. Isso gera qualidade, confiança e valor”, afirma Simone Goldman, consultora de negócios do Sebrae-SP.

Apesar da tradição já existente na região, especialmente na produção de queijos derivados do leite de búfala, a estruturação técnica da cadeia ganhou impulso recente. Em 2025, a realização do Festival do Búfalo contribuiu para reunir produtores, instituições e gestores públicos, ampliando a discussão sobre a organização do setor e o reconhecimento da atividade.

A partir desse movimento, foi identificado um edital do Ministério da Educação voltado ao apoio de projetos de Indicação Geográfica em diferentes regiões do país. Para viabilizar a participação, o Sebrae-SP articulou a parceria com o Instituto Federal de Itapetininga. O projeto foi elaborado com apoio do professor Antônio Eduardo Citron e do secretário municipal de Agricultura de Sarapuí, Márcio José Ricardo Sturaro.

A proposta obteve o segundo lugar na seleção nacional, garantindo recursos para a realização de um diagnóstico detalhado da cadeia produtiva. Os trabalhos tiveram início em janeiro de 2026 e seguem até junho, com atuação de professores e bolsistas na coleta de dados, entrevistas com produtores e análise das características históricas e produtivas da região.

Durante essa etapa, também estão sendo promovidas reuniões com sindicatos rurais, associações, órgãos de assistência técnica e outros parceiros institucionais. O objetivo é reunir informações que subsidiem a elaboração da documentação exigida pelo INPI, além de estimular a participação dos produtores no processo.

Atualmente, Sarapuí já conta com uma cooperativa organizada, mas a proposta é ampliar a integração regional, considerando que a certificação abrange todos os produtores inseridos na área delimitada que atendam aos critérios estabelecidos.

Projeto busca selo do INPI para valorizar leite de búfala da região de Sarapuí - Divulgação
Projeto busca selo do INPI para valorizar leite de búfala da região de Sarapuí – Divulgação

Outro aspecto considerado estratégico é o reconhecimento do conhecimento acumulado pelos produtores ao longo do tempo, conhecido internacionalmente como savoir-faire. Esse conjunto de práticas inclui manejo dos animais, alimentação, cuidados sanitários e técnicas de produção, elementos que influenciam diretamente a qualidade do leite e de seus derivados.

“Esses produtores conhecem o território, sabem lidar com o búfalo, produzem animais sadios e derivados de excelência. A indicação geográfica reconhece esse saber-fazer e transforma esse conhecimento em valor”, afirma Simone Goldman.

A expectativa é que, com a eventual obtenção do selo, a região amplie sua inserção no mercado e fortaleça outras atividades econômicas relacionadas, como turismo e comércio. A visibilidade associada à certificação tende a atrair consumidores e compradores, além de estimular novos investimentos.

Como parte desse processo, está prevista a segunda edição do Festival do Búfalo, entre os dias 18 e 24 de maio de 2026, em Sarapuí. A programação inclui atividades técnicas, exposição de produtos, encontros entre produtores e atrações culturais, com foco na difusão de conhecimento e na valorização da cadeia produtiva.

O pedido de registro da Indicação Geográfica dependerá da conclusão do diagnóstico e da consolidação das informações exigidas pelo INPI. A certificação, caso obtida, deverá estabelecer parâmetros de produção e reforçar a identidade regional associada ao leite de búfala.

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