A cidade de Itapetininga foi oficialmente certificada pelo Ministério da Saúde pela eliminação da transmissão vertical do HIV, ou seja, a transmissão do vírus da gestante para o bebê durante a gestação, o parto ou a amamentação.
Além desse marco, o município também foi reconhecido por boas práticas no combate à sífilis congênita e à hepatite B. A conquista posiciona Itapetininga entre os primeiros municípios brasileiros a atingir esse patamar, alinhado aos critérios estabelecidos pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O reconhecimento foi formalizado em cerimônia realizada em Brasília no início de dezembro, quando a Secretaria Municipal de Saúde foi representada pelo coordenador do Departamento de Vigilância Epidemiológica.

A Comissão Nacional de Validação (CNV), vinculada ao Ministério da Saúde, conferiu à cidade três distinções: a certificação da eliminação da transmissão vertical do HIV, o selo ouro por boas práticas em sífilis e o selo prata em hepatite B.
Segundo a prefeitura, o resultado é fruto de uma série de estratégias adotadas ao longo dos últimos anos, com ênfase na integração dos serviços de saúde pública e na vigilância epidemiológica ativa. “Esses dados são monitorados continuamente pela Vigilância Epidemiológica Municipal, com registros consolidados nos sistemas oficiais do Ministério da Saúde”, informou a administração municipal em nota.
Testagem, tratamento imediato e acompanhamento integral
O protocolo local estabelece testagem rápida e sorológica para HIV, sífilis e hepatite B em diferentes fases do acompanhamento da gestação — no pré-natal, no parto e também no puerpério. Caso o diagnóstico seja positivo, o tratamento é iniciado de forma imediata. As gestantes são vinculadas aos serviços especializados, como o Serviço de Atendimento Especializado (SAE) e o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que asseguram o cuidado contínuo com foco na adesão ao tratamento.
O acompanhamento multiprofissional do binômio mãe-bebê se estende até a confirmação diagnóstica final ou a alta por critério clínico-laboratorial. As crianças expostas ao HIV recebem suporte clínico, laboratorial e vacinal conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. Para os casos em que a amamentação é contraindicada, como no HIV, o município oferece fórmula infantil gratuitamente, além de orientações para o preparo seguro e adequado do alimento.
Nos casos de hepatite B, a imunoprofilaxia é aplicada logo após o nascimento, permitindo que a amamentação ocorra de forma segura, quando não houver contraindicação clínica. Já para a sífilis, o protocolo inclui o uso de penicilina benzatina em gestantes e medidas de monitoramento do parceiro sexual.
Modelo subnacional de certificação e reconhecimento internacional
O Brasil adotou um modelo subnacional de certificação, alinhado às recomendações da OPAS/OMS, que permite a estados e municípios com mais de 100 mil habitantes solicitarem a validação da eliminação da transmissão vertical de HIV, sífilis e hepatite B. Entre os critérios analisados estão a cobertura de testagem, a taxa de transmissão inferior a 2 %, o início oportuno do tratamento, a adesão terapêutica e a integração entre os níveis de atenção à saúde.
“A certificação da eliminação da transmissão vertical é um reconhecimento importante dos esforços da cidade na luta contra essas doenças. Além disso, garante que as crianças nascidas tenham menos riscos de adquirir HIV, sífilis e hepatite B durante a gestação, parto e amamentação”, declarou a prefeitura em comunicado oficial.
Em âmbito nacional, o Brasil foi certificado em dezembro de 2025 pela OPAS e pela OMS por ter atingido critérios técnicos para considerar eliminada a transmissão vertical do HIV como problema de saúde pública. O feito coloca o país ao lado de outras 17 nações do mundo que já obtiveram essa validação.

Atenção básica fortalecida e capacitação permanente
O desempenho de Itapetininga foi consolidado por um modelo de cuidado que articula diferentes frentes da rede pública de saúde. Equipes da atenção primária e da rede hospitalar participam de capacitações regulares e são integradas aos sistemas de notificação e rastreamento de casos. As ações incluem ainda o apoio psicossocial às gestantes diagnosticadas e o acompanhamento por profissionais de diferentes especialidades, como infectologia, enfermagem, psicologia e assistência social.
As gestantes diagnosticadas são notificadas em tempo real nos sistemas oficiais e passam a ser acompanhadas por planos de cuidado individualizados, com base em indicadores epidemiológicos locais. A vigilância ativa permite também que os dados sirvam de base para o planejamento de ações futuras, com foco na prevenção e na eliminação de novas infecções perinatais.


