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O Sleeping Giants Brasil, associação voltada ao monitoramento do ambiente digital e à defesa de direitos no espaço público online, notificou extrajudicialmente a Meta após a remoção de perfis ligados à comunidade LGBTQIA+ no Instagram. A entidade afirma ter recebido relatos de remoções de perfis voltados à diversidade nos últimos 30 dias, sem comunicação prévia ou indicação de regras supostamente violadas pela plataforma.

Na notificação, a entidade argumenta que a sequência de casos levanta questionamentos sobre critérios de moderação, transparência e previsibilidade das decisões da plataforma. Diante desse cenário, o Sleeping Giants cobra que a Meta restabeleça os perfis Ezatamentchy, GayBlogBr, Universo LGBT, Feno e Comunidades LGBTQIA em até 48 horas ou apresente justificativas formais indicando quais normas teriam sido infringidas.

A organização também relaciona o episódio às mudanças promovidas pela Meta em suas políticas de moderação desde 2025. O documento menciona críticas direcionadas à flexibilização de conteúdos discriminatórios e cita um inquérito civil instaurado pelo Ministério Público Federal para investigar possíveis impactos dessas alterações sobre a população LGBTQIA+ no ambiente digital.

Sleeping Giants notifica Meta após remoção de perfis LGBTQIA+ no Instagram - Ilustração
Sleeping Giants notifica Meta após remoção de perfis LGBTQIA+ no Instagram – Ilustração

Um dos perfis mencionados na notificação é vinculado ao Gay Blog BR, portal jornalístico voltado à cobertura de direitos humanos, saúde, cultura, entretenimento, sexualidade, relacionamentos e comportamento queer. Responsável pelo veículo, o jornalista Vinícius Yamada afirma que percebeu a indisponibilidade da conta quando a equipe se encontrava no Rio de Janeiro para a cobertura do show de Shakira, em um momento de intensa circulação de conteúdo e atualizações do portal.

Segundo o jornalista, tampouco houve aviso prévio ou um canal efetivo de recurso: “Fui ‘deslogado’ da conta e me pediram confirmação de identidade. Tentei entrar em contato, inclusive com o documento INPI em mãos, mas nem o suporte aparece disponível, disse.

Em reportagem publicada nesta quarta-feira (20), a Folha de S.Paulo informou que parte dos perfis começou a ser restabelecida após a repercussão do caso. O Instagram Gay Blog BR voltou ao ar, enquanto a Meta informou ao jornal que não comentaria o episódio.

Ao repórter Vinícius Macêdo, da Folha de São Paulo, o empresário abordou sua percepção sobre o atual cenário: “Durante muito tempo, imaginou-se que a internet seria um espaço relativamente mais seguro para comunidades historicamente marginalizadas, mas, por vezes, a sensação é a de que seguimos vivendo em becos e zonas de fragilidade”.

Para Vinícius Yamada, a discussão extrapola um caso isolado e passa pela forma como plataformas privadas administram presença, circulação e visibilidade social: “Mais do que esperar uma resposta específica da Meta, faz-se necessária uma reflexão institucional. O que significa exercer tamanho poder sobre a existência de LGBTs? O que significa moderar discursos, afetar circulação e, em alguma medida, organizar presença social sem oferecer critérios plenamente compreensíveis? Não me parece uma discussão apenas sobre um perfil ou um veículo, mas sobre o tipo de espaço público digital que estamos construindo e o quanto ele consegue ser transparente, previsível e intelectualmente honesto com quem dele depende”.

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